Onde está a espiritualidade?
Talvez a nossa ideia de transformação pessoal nos force a viagens exaustivas e buscas incessantes. Mas onde estaria a espiritualidade, se não no centro do nosso próprio ser?
No Ocidente, a espiritualidade é tradicionalmente o encontro com um Deus pessoal, uma alteridade soberana que nos convoca à relação, à oração e à ética. Aqui, o termo místico foi, por muito tempo, utilizado de forma pejorativa, relegado ao campo da superstição, do delírio ou de um subjetivismo perigoso. Sob o domínio de um racionalismo estreito, a mística foi pintada como uma "patologia do espírito", uma fuga da lógica ou um misticismo de "almanaque", desprovido de base intelectual. No entanto, o verdadeiro místico ocidental não é um alienado, mas aquele que busca a união de amor com o Criador, mantendo a distinção entre a criatura e o Divino.
Já no Oriente, o sagrado é compreendido como a Essência Única que permeia todas as coisas; o místico não busca um Deus que está "fora" ou "além", mas sim o despertar para a própria divindade interior, onde o "Eu" se dissolve na unidade do Todo. Esta perspectiva também sofreu com o olhar pejorativo da mentalidade positivista, sendo frequentemente rotulada como "quietismo inútil" ou uma forma de "autohipnose", ignorando que o que se chama de "esoterismo vazio" é, na verdade, a ciência da autotranscendência e da percepção direta da realidade.
Esses rótulos pejorativos servem apenas como barreiras intelectuais que nos afastam da vivência real. Não importa para onde vamos, para qual direção apontam os mapas ou como os conceitos tentam diminuir a experiência: ela está lá, onde sempre esteve. Por que não enxergamos, mesmo tendo-a tão perto?

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