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Resenha de "La Caballota"

  A performance de Sebastian Santamaria inaugura-se na fricção de um curto-circuito estético e psíquico. No centro da cena, o corpo do artista oferece-se ao olhar sob uma nudez calculada e tensa: veste uma camiseta de tamanho médio com estampa de cavalos que, ao mesmo tempo em que resguarda algo, desvela a carne exposta. Nos pés, o peso bruto de botas rosas de cowboy , despidas da vaidade heróica de qualquer estrela ou adorno no cabresto. Deste corpo-limiar, risca-se o espaço: o círculo onde o acontecimento se desenrola. Essa arena circular rasga a distância higiênica do palco clássico e convoca o público à condição de testemunha imediata, onde cada espectador se descobre livre e desamparado para inventar o próprio vetor de visão diante da criatura que se anuncia. É nesse perímetro sagrado e profano que a obra desfere seu golpe contra as estruturas de quem assiste. O círculo transmuta-se em um tabuleiro de projeções, onde o olho busca desesperadamente as âncoras de um léxico famili...

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