Eu me chamo tudo que compõe o Universo



Eu me chamo tudo que compõe o Universo

A jornada da existência, dizem, renova cada átomo de nossa carne a cada ciclo de doze anos, como se o tempo fosse um artesão que esculpe uma nova morada para a mesma alma. Mas, se o corpo se transmuta, por que a alma deveria carregar a mesma placa de identificação? Entre a "cara de joelho" da infância e os rostos reluzentes das novelas, Elaine nasceu do desejo alheio e do acaso das amizades, recebendo um título de luz envolto em sombras históricas. O nome, esse primeiro presente — ou talvez a primeira amarra —, é uma melodia que, ao ser tocada, desperta um universo inteiro em repouso, independentemente dos significados que os dicionários tentam lhe impor.

Nessa busca incessante por pertencimento, surge o sussurro da esperança sob o manto de Asha, uma tentativa de vibrar em frequências mais altas, de ser mais do que o humano "demasiadamente humano". Contudo, a alma logo percebe que virtudes não são tecidas em vogais e consoantes, mas no suor das atitudes e na coerência do agir. Nem a numerologia, com seus cálculos de perrengues e vibrações, é capaz de segurar uma identidade que anseia pela liberdade da inteireza. No fim, a busca por novas fragmentações e nomenclaturas espirituais revela-se apenas um desvio; o Ser não precisa de novos rótulos para ser sagrado.

Ao retornar ao nome Elaine, o círculo se fecha sem se aprisionar. Ele deixa de ser apenas uma escolha materna baseada na estética da TV para se tornar um hino de integração: o reconhecimento de que, sob qualquer nome, somos a própria substância do cosmos. A identidade real não é o que nos chamam, mas o silêncio vasto que resta quando deixamos de precisar de justificativas mentais para existir. No palco da vida, as máscaras de Paola (o primeiro nome pensando para mim), Elaine ou Asha caem, e o que permanece é o místico que se reconhece em tudo o que compõe o universo, desafiando cada um de nós a descobrir se o que nos nomeia realmente nos traduz ou se somos, enfim, inomináveis.

Você sente que a sua verdadeira essência caberia dentro das letras que compõem o seu nome de registro?

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