Entre amor e gentileza



Entre amor e gentileza


Saudações Queridos Leitores!

Retorno do hiato das férias com a brevidade de uma "rapidinha", o estalo necessário para despertar a alma do seu repouso. Sob o influxo das provocações de Marcia Tiburi, lanço este pequeno abalo sísmico — um fucking with my head que desarruma as prateleiras das nossas certezas mais românticas. No âmago deste redemoinho, resgato o testamento ético de Dostoiévski: a revelação de que o amor, com toda a sua fúria e fome de absoluto, talvez não seja o nosso cume. O amor, muitas vezes, é uma arquitetura de espelhos onde buscamos apenas o próprio reflexo, uma tentativa vã de capturar o outro em nossas redes de posse e idealização.

Tiburi nos sussurra que o amor romântico pode ser uma forma de domesticação, um delírio que nos cega para a realidade do encontro. Quando Dostoiévski eleva a gentileza acima do amor, ele nos convida a desarmar os afetos, a trocar a tirania da paixão pela hospitalidade do gesto miúdo. A gentileza é o amor que abriu mão de si mesmo; é a delicadeza que não exige nada em troca, a democracia dos corpos que se reconhecem em sua fragilidade. Ela não é doçura ingênua, mas a resistência mais feroz contra a brutalidade do mundo, o reconhecimento de que a dignidade de quem está à nossa frente é mais sagrada que o nosso desejo de pertencimento.

Nesta travessia, o outro deixa de ser objeto de nossa conquista para se tornar o sujeito da nossa atenção. Descobrimos, então, que ser gentil é a maneira mais íntegra de habitar o tempo, pois é o que permanece quando o estrondo das grandes paixões se dissolve. No rés do chão da existência, onde o amor por vezes nos consome, a gentileza nos salva. E assim, sem mais adornos, deixo que a ideia germine na quietude. Finalizo a postagem com meu silêncio.

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