Um momento narcísico

Prólogo:
É possível sentir uma exaltação diante desse substantivo masculino, chamado "elogio ".
Caros leitores, alguns de Portugal, agradeço seu interesse no fucking with my head. Essa postagem é para relembrar o formato dos velhos tempos, apesar de não poder voltar a, até porque, essa que vos escreve sofreu uns atravessamentos que impossibilitam o mais do mesmo, no entanto, possibilita, talvez, ou não, a experiência de uma nova dimensão.
Estive muito bloqueada por alguns dias, tanto bloqueio que minha audição direita ficou comprometida. Me confundi com a loucura, pois, a noite o zumbido furtava meu sono e me carregava para o calabouço das coisas "mal resolvidas". Esse monstro se chamava "mucosidade" que eu tentava combater prepotentemente com procedimentos de uma medicina alternativa, nada que lhe subtraia eficácia ou valor, mas em certos ou muitos casos, não seria apenas uma prática preventiva ou complementar ao tratamento? Dado que minha escuta direita apresentava bloqueio, não tive dúvidas, fui ter com o "saber". Uma hora há de se enfrentar as próprias melecas e excrementos, mas não sem antes elencar os possíveis culpados. Teria sido meu vizinho o transmissor de um vírus da gripe? Seria a demolição ao lado responsável por um quadro alérgico? Seria a conversão no corpo de algo psicossomático? Nessa época do ano é tão não difícil pegar gripe ou resfriado, né? Claro, um pouco de alergia vinda da poeira da demolição, colaborou um tanto para a piora do meu quadro, mas doeu mais ver uma linda árvore ser arrancada; de pensar nas casinhas tão lindas que davam a rua um charme pitoresco. Uma dessas casas abrigava uma ONG que cuidava de cães. Fiquei pensando qual teria sido o destino dessa ONG. Quando olhei para o pó de serra que fora jogado ali, ali onde existia uma enorme árvore, me identifiquei com o Tolkien. Ele sofreu uma enorme angústia quando derrubaram um pomposo carvalho em frente de sua casa. O objetivo era construir estradas para circulação dos Fo(r)ds. Não por acaso, o Tolkien criou o personagem "Barbárvore", segundo contou um certo historiador.
Depois do ataque de hipocondria, vem a rendição e a consulta com a jovem médica. Expus de forma objetiva, direta e conclusiva, meus sintomas. Enquanto falava, pude voltar a me escutar e disse que poderia se tratar de uma sinusite. Ela concordou, mas não sem antes examinar o dito ouvido zumbi(do). Nada de errado com o ouvido, aliás, ela me disse que estava mais limpo do que o dela, porém o "ranho" se acumulava de tal maneira na cavidade nasal, que invadia a conexão com o ouvido, é caca mesmo, essa meleca estava literalmente "fucking with my head". O esperado se apresenta, antibióticos e mais uma outra medicação que logo na primeira dose, aliviou um tanto. Fiquei pensando: e se não tivéssemos inventado o antibiótico?
O mais hilário e o que marca a finalização dessa "banalidade" toda que vos apresento, é que depois de enfrentar as minhas próprias melecas, a jovem médica lança: Seu nariz é muito lindo, nunca vi um nariz tão perfeito assim! você fez alguma plástica?

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