Que ousadia é esta?


"Minha existência não é um receptáculo para as projeções ou carências alheias; sou um ser humano em constante devir, movida por vontades soberanas que só a mim pertencem. Recuso veementemente o reducionismo do 'objeto-pessoa'. Acho até curiosa a pretensão de quem acredita deter o contrato de exclusividade sobre uma vida que mal consegue compreender — e lamento informar que não tenho mais a menor vocação para preencher expectativas ou performar o papel que me foi gentilmente designado pelo ego alheio. .

Quem reivindica posse sobre minha jornada ignora a vastidão da minha natureza livre. Pratico a equanimidade: um amor universal que reverencia a essência de cada ser — do animado ao inanimado — sem as hierarquias sufocantes que o ego alheio implora para se sentir seguro.

Transito por contextos sem me perder, distribuindo afetos conforme a ocasião, mas mantendo o centro em mim. Aposentei o desejo de agradar; se minha autenticidade incomoda, é um ruído que não me cabe silenciar. Resgato aqui a ousadia em sua raiz mais pura: o ato de ouvir a mim mesma antes de qualquer outra voz. Meu pacto de fidelidade é com minha própria alma. Afinal, para habitar o mundo com integridade, jamais poderei me deixar à margem da minha história — por mais que isso desaponte os colecionadores de gente."

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