Correndo da morte
"Certa vez, meu tio-avô confidenciou à minha tia — ainda uma criança naquela época — um plano audacioso:
— Vou comprar uma foice e, quando a morte vier me buscar, estarei pronto para enfrentá-la. Vou atacá-la de surpresa; ela não imagina o que a espera.
Minha tia, com a sinceridade típica da infância, limitou-se a pensar:
— Mas eu... eu nem ao menos tenho uma foice.
Essa breve interação ilustra um dos maiores dilemas da nossa espécie: a resistência diante da finitude. O desconhecido nos intimida e, frequentemente, esse temor torna-se paralisante. Há tantas pessoas consumidas pela ansiedade do fim que acabam negligenciando o próprio ato de existir.
É por isso que a máxima de Leonardo da Vinci ressoa com tanta força: 'No momento em que eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer'. A morte não se combate com armas, mas com a maestria de uma vida bem aproveitada."

Comentários